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MELHOR IDADE
Sexo na Terceira idade
O avanço da medicina permitiu que tanto homens como mulheres
pudessem gozar mais dos prazeres da vida e por muito mais tempo.
Sexo pode proporcionar muito mais que prazer e uma maneira de
relaxar a tensão. Também significa auto-estima: sentir-se desejado
é importante para pessoas de qualquer idade.
Grandes estudos populacionais mostram uma redução da atividade
sexual com a idade. Para o homem, essa diminuição está relacionada
ao envelhecimento, às condições de saúde e medicações que, juntas,
prejudicam a ereção. Para as mulheres, a redução da potência do
parceiro é o fator principal.
Porém, algumas pessoas continuam bastante ativas mesmo com a idade
avançada. Um estudo publicado no Journal of Gerontology mostra que
17% dos homens após os 80 anos têm relações e 35% se masturbam.
Outro estudo, feito com idosos sadios, mostrou que 63% dos homens
e 30% das mulheres, entre 80 e 102 anos, mantinham-se sexualmente
ativos.
Mudanças na maneira de fazer sexo são importantes para que a vida
sexual na terceira idade seja mais proveitosa. A começar pelo
rompimento do bloqueio cultural de não se falar de sexo para
mulheres de cabelos brancos e de não levar essa discussão para a
cama. Conversar sobre o assunto gera interesse e esquenta o clima
ou gera um clima e esquenta o interesse.
Sabe-se que o tempo necessário para a excitação nos idosos é mais
prolongado. Paciência é importante, e a experiência adquirida
facilita. O chamado "período refratário", após o orgasmo, também é
maior. Na menopausa, a parede vaginal é mais fina e menos
lubrificada, por isso pode sangrar ou doer. O uso de um
lubrificante ou pomada com hormônio é indicado.
A andropausa - menopausa masculina - existe e decorre da redução
do hormônio masculino, a testosterona. Nela, o homem diminui o
interesse sexual, mas mantém a ereção, apesar de menos firme, e a
capacidade de chegar ao orgasmo. O uso de hormônio masculino em
idosos saudáveis ainda é controverso. Também em relação ao homem,
mais que a idade, a condição de saúde é o fator principal para a
potência sexual.
A artrite, por exemplo, pode causar dor durante o ato sexual.
Mulheres mastectomizadas (que sofreram retirada da mama) podem se
sentir menos atraentes e evitar o sexo. Diuréticos e
anti-hipertensivos às vezes reduzem o interesse sexual tanto em
mulheres como em homens, porém isso é mais raro do que se imagina.
Todo indivíduo que perceber mudança na sua performance sexual, ao
iniciar o uso de um novo medicamento, deve perguntar ao médico se
há outra opção de tratamento.
Medicamentos que facilitam a ereção são bastante tolerados e
eficazes em qualquer idade para ambos os sexos. São totalmente
contra-indicados apenas com o uso concomitante de nitratos -
vasodilatadores das coronárias. Com o surgimento desses remédios e
a reposição hormonal para as mulheres, desencadeou-se uma
revolução de sexualidade na terceira idade.
A maior barreira para uma vida sexual ativa é a falta de um
parceiro. Após os 85 anos, há 2,5 mulheres para cada homem.
Demonstrações de desejo sexual, geralmente, não são bem-aceitas
pela sociedade, o que dificulta o encontro de parceiros.
Dificuldades de audição, perda de privacidade, corpos menos
atraentes… as barreiras não são fáceis de ultrapassar. Visitas à
manicure, cabeleireiro, cosméticos, privacidade, oportunidade para
encontros com pessoas da mesma faixa etária e até acesso a
material de sexo explícito podem ser recursos úteis.
Falar sobre o assunto é a chave para uma vida sexual mais sadia.
Os parentes e as pessoas que convivem com idosos devem ter
disponibilidade para discutir a questão e ajudar. O clínico geral
pode resolver boa parte dos problemas e ajudar o idoso a
conquistar uma vida mais feliz.
Fonte: Revista Carta Capital

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